Eu, vazio imenso,
Cativa no espaço
Abaixo do céu
Em que adormeço.
Eu, estriada, anoiteço
Rogo ao sereno
Envolva a superfície
Na qual me rebento.
Eu, lamento indizível,
Converto meu pranto
Em febre e em sonho.
Entorpecida, enrijeço.
Eu, longa espera, consinto
Ao solar impiedoso
Exigir as reservas
Que ainda disponho.
São chagas abertas
Meu solo estriado.
É deserto febril
Num silêncio amuado.
Vapores cálidos
São os sentinelas,
Dançarinos frementes,
Neste leito de cárcere.
Explode um grito
No abrigo soturno.
Despertara o céu
Com clarões inquietos.
Neste ermo espaço
Em que fui despida
Meu espírito reclama
De sede e de fome.
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