28 de abril de 2015

Pausa de amor no semiárido - III



Eu, vazio imenso,
Cativa no espaço
Abaixo do céu
Em que adormeço.


Eu, estriada, anoiteço
Rogo ao sereno
Envolva a superfície
Na qual me rebento.


Eu, lamento indizível,
Converto meu pranto
Em febre e em sonho.
Entorpecida, enrijeço.


Eu, longa espera, consinto
Ao solar impiedoso
Exigir as reservas
Que ainda disponho.


São chagas abertas
Meu solo estriado.
É deserto febril
Num silêncio amuado.


Vapores cálidos
São os sentinelas,
Dançarinos frementes,
Neste leito de cárcere.


Explode um grito
No abrigo soturno.
Despertara o céu
Com clarões inquietos.


Neste ermo espaço
Em que fui despida
Meu espírito reclama
De sede e de fome.



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