A minha dor é semelhante
a centenas de outras dores comuns.
Ou algo mais que isso.
Não há imagem para contê-la
e descrevê-la.
Não há autoria, presente ou póstuma.
Nem algoz.
Ninguém a testemunhar fora dessa órbita.
Não fora gravada em tábuas de argila.
Bem provável tenha precedido
aos primeiros pergaminhos de couro.
É rompimento em si mesmo.
Algo morre restando o informe.
É no vale que se cultiva a vida.
Onde se pode correr
junto a um rebanho de cabras
sem o pesar pela meninice.
Não há quem possa julgá-lo.
E o viés do sonho
ascende em espiral
até à profundidade de um ponto.
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